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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

MORAL ECUMÊNICA


Resenha: Hüng, H. Projeto de ética mundial. Uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. São Paulo, Paulinas, 2003. 4 Edição.

Na introdução da obra supracitada, Hans Küng oferece-nos um princípio de incomensurável valor. “Certamente a sociedade mundial não necessita de uma religião unitária, nem de uma ideologia única. Necessita, porém, de normas, valores, ideais e objetivos que interliguem todas as pessoas e que todos sejam válidos.” Com isso, aprendemos a dimensão por onde passa o autêntico[1] ecumenismo. Diante de tal postura, podemos constatar que “não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões”, tema da UNESCO.

Ora, para caminharmos em direção a uma autêntica postura de respeito, devemos caminhar por diversos segmentos da sociedade mundial, pois a medida que os compreendemos, passaremos a ver com honestidade o outro e, o “Ocidente está diante de um vazio de sentido, de valores e de normas”. Não sendo apenas “um problema de indivíduos, mas também um ponto político de maior relevância”.

Diante disso, “ninguém pode ser seriamente, por princípio, ‘contra o progresso’. Somente é questionável o fato de que, em grandes partes da América, do Japão e da Europa, o progresso técnico-industrial se transformou num valor absoluto, num ídolo, no que se cria incondicionalmente”. A compreensão do processo político-econômico pode ajudar-nos a compreendermos as verdades religiosas, não do ponto de vista da fé, mas como um corpo social que o é, e não podemos negar.

O progresso mundial não pode está acima do ser humano, pelo contrário, deve estar a servido dele, pois, quer-se “a passagem de uma ciência sem ética para uma ciência eticamente responsável, a passagem de uma tecnocracia que domina as pessoas para uma tecnologia que serve à humanidade das pessoas”. A modernidade deve ser corroborada pela sua “forma humana” e negada “nos seus limites desumanos”, deve, portanto, “transcender para uma nova síntese, diferenciada, pluralista e holística”.

Esta gama que forma a sociedade necessita de algo que a ligue, não por unicidade, mas por conduta ética-moral, por isso, “precisamos da ética, da doutrina filosófica e teológica sobres os valores e as normas que devem orientar nossas decisões e ações. A crise deve ser entendida como uma oportunidade”. Não se deve contabilizar erro. Falamos, com respaldo, que “sem um mínimo de consenso fundamental com respeito a valores, normas e posturas não é possível a existência de uma comunhão maior nem uma convivência humana digna”. Temos a certeza de que “não se pode melhorar a pessoa humana com um número cada vez maior de leis e preceitos”.

Para que haja um respeito mútuo entre as religiões é necessário esvaziarmo-nos de nossos juízes, pois “somente quem está imbuído de preconceito deixará de reconhecer que as grandes religiões contribuíram grandemente para o desenvolvimento espiritual e normativo dos povos”. Isso sim, é passarmos pela via do ecumenismo. Todos nascemos livres, “com os mesmos direitos de dignidade, a partir daí também deriva o direito de liberdade de religião”. Pois o perigo é tornar a religião algo cabal e intransigente. “As religiões institucionalizadas e as Igrejas cristã encontram-se em crise. Na Europa, isso se verifica graça à rigidez e ao isolamento (Igreja católica) e em razão do desgaste e da falta de performance (Igreja protestante)”.

Por fim, este livro aponta-nos dimensões reais e que devemos observar. Diante de tão exaustivas explicações, a leitura se torna prolixa e enfadonha, mas não devemos deixar de pontuar a sua precisão acerca do ecumenismo, o1ikoumene. Precisão esta que necessitou, com mérito, passar pelo conjunto social. Pois não vamos compreender a religião supra mundo, pelo contrário, ainda que se negue, ela não está fora do contexto social, seja ele político, econômico, cultural. As religiões se abraçarão à medida que perceberem que tratam da mesma coisa e que não necessitam colocar-se acima de, ou a frente de, e sim, ao lado de. Com isso, a religião compreenderá que ela “consegue transmitir uma dimensão mais profunda, um horizonte interpretativo mais abrangente diante da dor, da injustiça, da culpa e da falta de sentido. Ela consegue também transmitir um sentido de vida último ante a morte: o sentido de onde vem e para onde vai a existência humana”. A não compreensão da dimensão religiosa, leva-nos a agirmos hostilmente, como ultimamente, vemos na ação de alguns muçulmanos, e não de todos os muçulmanos, frente a citação do Papa Bento XVI, sobre o que falara, historicamente, um imperador em tempos idos.
[1] Não se trata de querer dizer que se tenha um ecumenismo falso, mas faz jus, a colocação com veemência, a fim de melhor ser compreendida, uma vez que se deturpa o ecumenismo.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O DIA DE PENTECOSTES


INTRODUÇÃO


Diante do fenômeno do Pentecostes, percebemos que o termo segue uma trajetória histórica bíblica. Vem desde a chegada na terra prometida, pós êxodo, como prática da festa da colheita, em dois momentos. O primeiro na primavera, chamada festa das semanas, o qual nos interessa, pois é esta festa que se chamou pentecostes. A segunda festa da colheita era no outono e é, também, conhecida como a festa das tendas.

O Pentecostes assume uma nova dimensão nos Atos dos Apóstolos, devido a seu caráter comunitário. Antes, no Antigo Testamento, uma só pessoa era autorizada a anunciar a Palavra de Deus, como por exemplo, os Profetas. Enquanto nos Atos dos Apóstolos, toda a comunidade cristã é autorizada a anunciar o Evangelho.


O DIA DE PENTECOSTES
1Tendo-se completado o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um som como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. 3Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousavam sobre cada um deles. 4E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem. 5Achavam-se em Jerusalém judeus piedosos, vindos de todas as nações que há debaixo do céu. 6Com o som que se produziu, a multidão acorreu e ficou confusa, pois cada qual os ouvia falar seu próprio idioma. 7Estupefatos e surpresos diziam: «Não são, acaso, galileus todos esses que falam? 8Como é, pois, que os ouvimos falar cada um de nós, no próprio idioma em que nascemos? 9Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frigia e da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia próxima de Cirene; romanos que aqui residem; 11tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, nós os ouvimos anunciar em nossas próprias línguas as maravilhas de Deus!» 12Estavam todos estupefatos. E, atônitos, perguntavam uns aos outros: «Que vem a ser isto?» 13Outros, porém, zombavam: «Estão cheios de vinho doce!» (Atos 2,1-13).

Pentecostes era a segunda das grandes três festas judaica. «Três vezes no ano me celebrareis festa» Ex. 23,14. As três festas eram: 1 – festa dos Ásimos; 2 – festa da colheita, chamada festa das semanas. «Também guardarás a festa das semanas, que é a festa das primícias da sega do trigo, e a festa da colheita no fim do ano» Ex. 34,22. A expressão pentecostes, também como festa das semanas, aparece em Tobias 2,1. «Em nossa festa de Pentecostes (a festa das semanas), foi-me preparado um excelente almoço e reclinei-me para comer»; 3 – festa da colheita no outono. A festa das Tendas «A festa dos tabernáculos celebrarás sete dias, quando tiveres colhido da tua eira e do teu lagar» Dt. 16,13. A diferença entre a festa da colheita na primavera, festa das semanas, e a do outono, festa das Tendas, é que os judeus rememoravam na da primavera, a entrega das Tábuas da Lei a Moisés no Monte Sinai durante o êxodo (Ex. 20,1-21; Dt. 5,1-22).

A palavra PENTECOSTES - Penthkosth/j – significa qüinquagésimo (dia). E aparece em Tobias 2,1 e em 2Macabeus 12,32: «Depois da festa chamada Pentecostes, marcharam impetuosamente contra Górgias, estratego da Iduméia». Cinqüenta dias, portanto, da festa da Páscoa. O pentecostes é o qüinquagésimo dia e não um dia após os cinqüenta transcorridos.

A efusão do Espírito Santo em Pentecostes cumpre a promessa de Jesus, «mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra» (At 1,8), e inaugura, oficialmente, o tempo da Igreja. Os doze apóstolos, cujo número é simbólico, estão habilitados com a força do Espírito para o anúncio autorizado da salvação, dom de Deus por meio de Jesus. A cena de Pentecostes tem um significado programático como o batismo de Jesus. Com a efusão do Espírito, nasce a comunidade prometida pelos profetas para o tempo final. O Pentecostes como esta realidade escatológica.

Numa primeira visão, aparece a articulação externa do relato: introdução [2,1], que refere as circunstâncias de tempo e o lugar do acontecimento ou experiência do Espírito; a cena teofânica ou manifestação divina do Espírito através de dois símbolos clássicos das teofanias, o vento (ou tempestades) e o fogo [2,2-3]; segue a descrição do primeiro efeito do Espírito, a reação das testemunhas do mundo humano universal: o falar em «outras línguas» suscita assombro, admiração [2,4-8]; a universalidade e o ecumenismo, nos quais se inserem a ação e o testemunho do Espírito, são expressos pela lista dos povos [2,9-11]. É o núcleo da nova humanidade reunida pela força de coesão e de comunicação que tem a sua fonte no Espírito. O relato se encerra com duas notas tradicionais. A primeira retoma o tema do assombro e a interrogação dos judeus, qual o sentido da experiência do Espírito? Sem a interpretação que une a manifestação do Espírito à história da salvação e ao acontecimento da morte e ressurreição de Jesus, ela fica ambígua [2,12-13].

O Espírito Santo é um dom de Deus, vem do céu e não é um produto da sugestão humana. É uma força irresistível que foge ao controle e às manipulações humanas. Ao intelectual judeu Nicodemos que quer saber «como» age Deus, Jesus diz: «O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito» (Jo 3,8). A irrupção que pervade cada pessoa com a sua ação e singular visibilidade por Lucas com a imagem das «línguas como de fogo, que se repartiam e que pousavam sobre cada um deles» (At 2,3). A ação interior e transformadora do Espírito torna-se externamente uma nova capacidade de comunicação: «e todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas» (At 2,4). Esta imagem das línguas de fogo para exprimir a ação de Deus foi sugerida, com toda a probabilidade, pela tradição judaica a respeito do dom da lei ou palavra de Deus no Sinai.

A fórmula lucana «o Espírito Santo» ocorre 21 vezes; em 16 casos, a expressão retorna sem artigo e 09 vezes encontra-se o uso de «o Espírito», sem o adjetivo santo; em 03 casos o adjetivo é substituído por um genitivo como «(o) Espírito do Senhor» (02 vezes) e o «Espírito de Jesus». «Defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu» (Atos 16,7). Em 20 vezes, pelo menos, se diz que alguns protagonistas, Pedro, os apóstolos, os cristãos, «estão repletos do Espírito Santo». Muitas iniciativas dos discípulos ou da comunidade como tal, sobretudo aquelas que dizem respeito ao anúncio, ao testemunho da palavra e à missão, remontam ao Espírito Santo. Da leitura dos Atos se produz a impressão de que o início e a expansão extraordinária do movimento cristão estejam sob o signo do Espírito Santo. Apenas duas sentenças de Jesus falam do Espírito: a primeira promete a assistência do Espírito aos discípulos para a sua defesa diante dos tribunais. «Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar» Lc 12,12; a segunda pede atenção com relação à blasfêmia contra o Espírito Santo. «E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á perdoada, mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo não lhe será perdoado» Lc 12,10.

O Espírito Santo é derramado de modo abundante e experimental sobre a nova comunidade. Há uma linha contínua que parte dos profetas, os homens do Espírito, culmina em Jesus de Nazaré, consagrado messias por meio do Espírito Santo e se prolonga na nova comunidade messiânica. No Pentecostes, explode a potência do Espírito que dá início à aliança do povo novo. A novidade com relação às manifestações carismáticas do antigo povo de Deus, é a plenitude do dom feito a todos os membros da comunidade.

O fenômeno do Espírito Santo, segundo Lucas, torna-se visível na oração exultante, no louvor a Deus e no anúncio entusiasta da realidade salvífica oferecida a todos os homens por meio de Jesus. Homens que se tornam habilitados para o testemunho, para o anúncio da salvação. Pedro, como porta-voz dos doze, expressa de modo autorizado esta nova consciência «profética». Como Jesus foi habilitado para a sua missão histórica pelo Espírito, assim os que nele acreditam agora participam na plenitude do Espírito, dom prometido para o tempo final. «Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele» At 10,38.

A efusão do Espírito é sinal e prova histórica da entronização messiânica de Jesus, «de sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis» At 2,33. A extraordinária expansão do movimento cristão, que obedece ao dinamismo do Espírito, no modo como se revela no anúncio corajoso e convincente da mensagem, é a tradução histórica do acontecimento de Pentecostes.

O Espírito guia a Igreja como uma realidade permanente e contínua. Esta força do alto, mesmo sendo sinal histórico do tempo, no qual se movem os crentes, é um dom gratuito de Deus. O aspecto da gratuidade está presente também na terminologia usada para indicar a realidade do Espírito. É um dom, «respondeu-lhe Pedro: ‘arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo» (At 2,38); promessa, «a este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas» (At 2,32).

Por fim, percebamos o paralelo que temos no relato do dia de Pentecostes com outros textos bíblicos:
Atos 2, 2:
De repente, veio do céu um som como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam.
João 3,8:
O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.
Salmos 104,30:
Envias teu sopro e eles são criados, e assim renovas a face da terra.
Salmos 33,6:
O céu foi feito com a palavra de Iahweh, e seu exército com o sopro de sua boca.
Atos 2,3:
Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e que pousavam sobre cada um deles.
Deuteronômio 4,12:
Então Iahweh vos falou do meio do fogo. Ouvíeis o som das palavras, mas nenhuma forma distinguistes: nada, além de uma voz!
Atos 2,4:
E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem.
Lucas 1,67:
Zacarias, seu pai, repleto do Espírito Santo, profetizou.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante da pequena pesquisa feita sobre o Dia de Pentecostes (h` h`me,ra th/j Penthkosth/j), fica a certeza bíblico-histórica da evolução da compreensão de Pentecostes. Uma compreensão que perpassa do conceito a teologia, do acontecimento a prática cristã.

A efusão do Espírito impulsiona-nos a prosseguirmos com fé e encorajados a anunciar a todo o mundo a Boa Nova trazida por Jesus. Este vento que sopra onde quer, inaugura, oficialmente, o tempo da Igreja.

O Espírito Santo é dom de Deus, vindo do céu e não da sugestão humana, ou seja, não está ao bel prazer dos homens, mas ratifica a missão de anunciar e propagar o Reino de Amor.




BILIOGRAFIA
Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2003.
BOFF, Lina. Espírito e missão na obra de Lucas-Atos. Para uma teologia do Espírito. São Paulo: Paulinas, 1996.
FABRIS, Rinaldo. Os atos dos apóstolos. São Paulo: Edições Loyola, 1991.
SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Novo testamento interlinear grego-português. Baueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.

TÓPICOS DOS DOCUMENTOS ECUMÊNICOS


Decreto Unitatis Redintegratio[1] sobre o ecumenismo

No proêmio, é destacada a promoção, ou seja, o incentivo a restauração da unidade entre os cristãos, como também, o reconhecimento de Cristo como Senhor, o qual é Cabeça da mesma Igreja, una e não única.

Pontos de maior relevância, pensamos, dos capítulos seguintes do decreto:

Capítulo I – Os princípios católicos do ecumenismo
Em Jesus há uma integração concreta mediante na fé;

O Espírito Santo é impulsionador da comunhão dos fiéis em Cristo;
A Igreja como manifestação visível do Reino de Deus;
Modelo de Unidade é a Trindade;
Que a iniciativa, para o ecumenismo, deve ser de nossa parte, primeiramente, pela oração, pelo diálogo, pelo testemunho.

Capítulo II – A prática doe ecumenismo
A prática do Ecumenismo perpassa por uma renovação da Igreja, por uma conversão sincera, por uma vida evangélica;
Conhecimento da realidade do outro, de sua liturgia, doutrina, costumes;
Participação em congressos ecumênicos;
Que se tenha uma devida formação teológica ecumênica, tanto para pastores quanto para padres.

Capítulo III – Igrejas e comunidades eclesiais separadas da Sé Apostólica Romana
A relação entre as Igrejas orientais e a Igreja Ocidental;
A não imposição doutrinária-dogmática as Igrejas, a fim de ter um diálogo fraterno.

O Decreto Unitatis Redintegratio exorta-nos a observarmos com atenção a questão do ecumenismo. É, sem sombra de dúvida, um ponto positivo da Igreja já ter tomado tal iniciativa, querer, verdadeiramente, reconhecer Cristo como Salvador, o qual não faz acepções, que nos convoca a prática da caridade como virtude maior, segundo o Apóstolo Paulo, das virtudes teologais.

Diante de tal iniciativa, corre-se o risco de querer uma unificação, em vez de unidade. Não se deve querer uma religião unânime, nem tão pouco, colocar-se como maior numa hierarquia. O Decreto, em alguns pontos, abre brecha para que se tenha esta visão, a de que o catolicismo deva presidir as demais, o que seria contrário ao princípio do ecumenismo. Que é o do diálogo, da conversão.

Contudo, não podemos prescindir dos questionamentos que urgem na união dos cristãos, pois é inadmissível tal divisão entre as religiões que tem Cristo como Cabeça. Ora, Cristo é a Cabeça do Corpo místico que é a Igreja, os membros são diferentes, e devem sê-los, mas têm o ponto central que os unem, este é o Senhor.
MEDELLIN (1968)
Pede:
Colaboração com outras confissões cristãs;
Para construção de a paz convidar a todas as confissões cristãs e não cristãs;
Abertura das famílias num acolhimento mútuo das confissões diferentes;
Abertura das escolas católicas para o diálogo ecumênico;
Participação da juventude no diálogo ecumênico;
Na catequese, ressaltar a necessidade do diálogo ecumênico.

PUEBLA (1979)
Atividade ecumênica: diálogo, esforços conjuntos somados, é igual a unidade desejada;
Catequese: formação integral da fé;
Dar razão da esperança;
Diálogo ecumênico;
Formação para a vida moral – vivência das bem-aventuranças;
Ética sexual;
Vida política e Doutrina Social da Igreja;

SANTO DOMINGO (1992)
Os desafios pastorais surgem como grande, se não o maior, desafio entre a divisão dos cristãos, por vários motivos ao longo da história;
O Papa João Paulo II destacou o ecumenismo como prioridade na Pastoral da Igreja do nosso tempo.

CONCÍLIO VATICANO II

O Vaticano II, além da Unitatis Redintegratio, em vários de seus documentos, decretos, constituições, ressalta a necessidade do diálogo entre os cristãos.
Na Constituição dogmática Lumen Gentium, destaca a não vivência da dinâmica cristã do batismo entre os cristãos, uma vez batizados, muitos não assumem esta postura;
Na constituição dogmática Dei Verbum a Palavra ocupa um lugar central, sendo que Ela seja, indistintamente, propagada entre os cristãos, sem acepções;
Na Constituição pastoral Gaudium et Spes, coloca, de maneira bela, a postura de cristão, demonstrando que se é possível uma comunhão. “O nosso pensamento abraça ao mesmo tempo os irmãos e suas comunidades que ainda não vivem em comunhão plena conosco, aos quais, contudo, nós nos unimos pela confissão do Pai e do Filho e do Espírito Santo...”;
No Decreto Ad Gentes, a missão deve ser voltada para a comunhão, para a caridade entre os irmãos;
Os Decretos Chistus Dominus, Presbyterorum Ordinis, Optatam Totius, Apostolicam Actuositatem, visam, de maneira clara, a observância para com os nossos irmãos “separados”.
[1] Datada de 21 de novembro de 1964, PP. Paulo VI.

Diác. José Roberto, CSsR

Zezinho

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

MISSÃO JOVEM


A missão jovem realizada entre os dias 23 e 27 de janeiro do corrente ano, aqui em Senhor do Bonfim, teve como base a carta do Papa Bento XVI aos jovens para a XXIII jornada mundial da juventude, a se realizar em Sidney, Austrália, nos dias de 15 a 20 de julho de 2008. Procurou-se nesta missão jovem, dá enfoque a civilização do amor, a partir da integridade e da formação integral do jovem na sociedade atual. Os Atos dos Apóstolos 8,1: “Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas”, serviu de base bíblica para a missão entre os jovens.

A juventude é, à sua maneira, o rosto de Deus, um lugar teológico, isto é, que revela e nos fala de Deus. E como afirma o Papa Bento XVI: “Nunca esqueçais que a Igreja, aliás, a própria humanidade, a que vos circunda e a que vos aguarda no futuro, espera muito de vós, jovens, porque tendes em vós o dom supremo do Pai, o Espírito de Jesus”. É o reconhecimento, explícito, do valor incomensurável do jovem na Igreja. O Documento da CNBB, sobre a Evangelização da Juventude, afirma: “A juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade. Os jovens de todos os tempos e lugares buscam a felicidade”. Uma felicidade que não é efêmera, pelo contrário, é sólida e que tem fundamentos. A juventude tem um lugar de destaque dentro da Igreja, pois revela uma inquietação evangélica, mostrando-nos que devemos nos atualizar a fim de que nos coloquemos dentro da sociedade hodierna e falemos na exata medida de Deus. É um impulsionar para a leitura dos tempos, ou melhor, dos sinais dos tempos. E mais, a juventude impulsionada por esta força, a do Espírito de Jesus, é sinal, testemunho, de uma Igreja viva e vivificante no meio da sociedade, a qual tenta supervalorizar o poder do consumo e do supérfluo, numa subcultura da aparência e do descartável. Enquanto a proposta da missão jovem foi mostrar a formação integral do jovem, a qual envolve a dimensão com Deus, consigo mesmo, com os outros, com a sociedade e com a ação, ou seja, com a técnica.

Metodologicamente, a missão foi dividida em 08 (oito) centros, foram eles: Catedral, Pêra, Carrapichel, Itapicuru, Estiva, Missão do Sahy, Cazumba e Tijuaçu. Por fim, a missão jovem teve como objetivo, também, reanimar os grupos de jovens e criá-los onde não tinha. A missão foi o revigoramento da fé juvenil, por uma cultura da integridade de nossa juventude. A Missa de encerramento, na quadra do Colégio das Sacramentinas, demonstrou o espírito da missão jovem de reunir, congregar os jovens à luz do Espírito Santo.

Diác. José Roberto, CSsR
Zezinho