A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA HIERARQUIA DO PODERIO
José Roberto M. Ramos – Zezinho
Estava com um colega na Faculdade quando surgiu um assunto sobre hierarquia. Eu lhe perguntava se em seu meio, movimento eclesial ao qual ele faz parte, se tinha uma hierarquia forte, isto é, em estado de submissão. Ele me disse que, teoricamente, sim. Então resolvi colocar as minhas, poucas, idéias sobre o assunto no papel. Aliás, amo fazer este exercício, pois nas palavras correm os meus pensamentos, aquilo em que creio e acredito, onde muitas vezes as palavras ditas e o gestos não conseguem externar. Mas, as palavras não, estas dão o recado, dizem para que foram escritas. É magia que o humano faz, é bruxaria – que a fogueira não me ouça – que não necessita ser bruxo para fazê-la.
Primeiramente, observarmos o que a Igreja diz a respeito da hierarquia a partir da Lumen Gentium – luz dos povos – constituição sobre a eclesiologia. No capítulo III, que trata diretamente sobre tal tema, aparece da seguinte maneira: «Cristo nosso Senhor, com o fim de apascentar o povo de Deus e aumentá-lo sempre mais, instituiu na sua Igreja vários ministérios que se destinam ao bem de todo o corpo» (cf. n.º 18). Neste proêmio podemos constatar que não há uma hierarquia enquanto divisão de poder temporal, isto é, na função de status, quem pode mais e quem obedece. Cristo Cabeça rege todo o corpo que é sua Igreja. A sua Igreja, obviamente, encontra-se na terra. Encarnada. Por isso, tem suas manifestações sociais, culturais. É neste encontro, entre a dimensão espiritual com a temporal da Igreja, que se dá, ou melhor, se faz a grande confusão.
Muitos fazem menção a «eleição» dos apóstolos como sendo a base da hierarquia. A instituição dos Doze não significa, no mundo bíblico, a eleição privilegiada de uns para estar com Jesus, pelo contrário, a constituição dos Doze é, simbolicamente, a união de todos os povos. Podemos constatar, por exemplo, em Pentecostes:
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? 12 Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? 13 Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! (Atos 2, 1-13).
Antes do dia de Pentecostes – qüinquagésimo dia – há a eleição daquele que substituiria Judas. Observemos que não há uma preocupação quem seria este décimo segundo, mas há um interesse em completar, fechar o número «doze» para que o Espírito Santo se manifeste e autorize todos os «homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu», a anunciar a Boa Notícia. O Texto (cf. Atos 1, 13-14) ainda acrescenta além da reunião dos apóstolos as mulheres: «Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele» (At 1, 14). Atualmente, as mulheres não têm nem voz, nem vez. Fruto da hierarquização, ou melhor, da institucionalização da hierarquia. Sabemos que em qualquer segmento humano de grupo, necessita-se, obrigatoriamente, de uma hierarquia, pois se não vira anarquia. Mas hierarquia não deve ser confundida com autoritarismo e discriminação de outrem, pelo contrário, deve estar ao serviço.
Falando no esquecimento das mulheres pela hierarquia eclesiástica, vem ao meu pensamento a Carta de Paulo aos Romanos, «Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia, para que a recebais no Senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive. Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus» (Rm 12, 1-3). Eram as diaconisas que exerciam um papel singular na Igreja Primitiva. Hoje, não podem... Quem instituiu esta proibição? Olhemos Jesus, como gostava de estar na companhia das mulheres e mulheres de «má fama» na sociedade da época, entre elas Maria Madalena, a qual compreendeu a mensagem do amor que está acima da lei. «Amar não é projetar-se no outro ou naquilo que é. Amar é deixar ser» (Jean-Yves Leloup. O romance de Maria Madalena. Uma mulher incomparável. Verus, p. 65) ou como diria Fernando Pessoa através de seu heterônimo Alberto Caeiro:
Todos os dias agora acordo com alegria e pena. Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava. Tenho alegria e pena porque perco o que sonho e posso estar na realidade onde está o que sonho. Não sei o que hei de fazer das minhas sensações. Não sei o que hei de ser comigo sozinho. [...] Quem ama é diferente de quem é. É a mesma pessoa sem ninguém.
A observância da lei pela lei, era uma prática dos fariseus, homens que cumpria rigorosamente todas as prescrições a ponto de torná-las maiores do que o humano. Jesus inverte esta realidade de seu tempo, mostra-se um Homem acessível, agradável, cheio de afetos. Pedro experimentou esta ternura de Cristo, pois como sabemos, por meio do evangelho, Pedro era Zelota. Os Zelotas eram homens formados para as batalhas, analogicamente, seria como os espartanos, os bárbaros. Jamais um Zelota conhecia a dimensão do amor manifestado, da ternura vivida. No entanto, Pedro aprendeu a linguagem do amor e chorou. Chorou amargamente por ter «negado» conhecer o amor de sua vida, Jesus. É! o amor e a ternura deixa-nos bobos! «A ternura é um sentimento que se comunica na medida em que é encarnado; não se ensina, se testemunha» (Carlo Rochetta. Teologia da Ternura. Paulus). Que bonito os cristãos serem bobos! Pois convertem com a vida, com o testemunho. Na época do Imperador Juliano, ele instituiu serviços a partir da vida dos cristãos. O serviço que os cristãos prestavam a sociedade provocou o imperador que nem era cristão.
Voltemos ao mundo bíblico e analisemos a famosa passagem em que se baseiam as mentes hierárquica-ditatorial daqueles que se mostram ovelhas, mas são lobos e a «boca é mais macia que a manteiga, porém no coração há guerra; as suas palavras são mais brandas que o azeite; contudo, são espadas desembainhadas» (Salmos 55, 21). Conforme Mateus 5, 17, «Não penseis [diz Jesus] que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento». Primeiro não podemos tomar este versículo isoladamente. Uma leitura responsável deve ser feita dos capítulos 5 ao 7. No início do capítulo 5, encontramos a ética do Novo Testamento, se assim podemos dizer, o Sermão da Montanha. No Pentateuco tem-se o Decálogo.
No final do capítulo 5 diz Jesus: «Portanto, deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é Perfeito» (versículo 48). A perfeição da qual Jesus nos pede é que busquemos Deus como nosso absoluto, A Perfeição. O Deus de Jesus, Aquele que «faz chover sobre bons e maus». Que não faz acepção de cor, etnia, sexo ou condição financeira. Aquele Deus que podemos bocejar A-B-B-A! Para nós, baianos, «painho»! Aquele Deus que podemos «deitar» no colo. Lembrei-me do filme Kiriku. Há um momento em que ele consegue driblar a guarda da feiticeira e vai até o ancião sábio. Lá, depois de conversarem, Kiriku diz que está cansado. O ancião o coloca no colo e faz com que o garoto sinta-se seguro e restaure suas forças. Assim é Deus, coloca-nos em seu colo e nina-nos!
O homem não está para a lei, a lei está para o homem. A lei deve orientar a humanidade e ela tem que existir. Ela não pode ser maior, e não é, do que a pessoa humana em sua dignidade. Ela não está para justificar as mazelas cometidas em nome de boa ação. Como diz um adágio popular, «de boas intenções o inferno está cheio». Coitado do capeta!
Por trás da hierarquia está a lei. A lei que serve para justificar atos desumanos e, da forma que se manifesta, sem fundamento. São Paulo ao escrever aos Romanos recomenda: «Portanto nós sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da lei» (Rm 3, 28).
A hierarquia que devemos pensar é a de Cristo Cabeça, nós os membros, pois formamos um só corpo. Jesus o Pastor que caminha conosco, em nosso meio, Shekinah-Emanuel. Esta é a dimensão, vejo assim, de uma hierarquia, de uma ordem dentro da comunidade cristã. E porque não, na sociedade, pois humanizar-se é de todo humano. Parece pleonasmo, redundância, mas não é. É que nós perdemos a característica do humano, perdemos o referencial e mais, deixamos de querer o essencial, amar e ser amado.
José Roberto M. Ramos – Zezinho
Estava com um colega na Faculdade quando surgiu um assunto sobre hierarquia. Eu lhe perguntava se em seu meio, movimento eclesial ao qual ele faz parte, se tinha uma hierarquia forte, isto é, em estado de submissão. Ele me disse que, teoricamente, sim. Então resolvi colocar as minhas, poucas, idéias sobre o assunto no papel. Aliás, amo fazer este exercício, pois nas palavras correm os meus pensamentos, aquilo em que creio e acredito, onde muitas vezes as palavras ditas e o gestos não conseguem externar. Mas, as palavras não, estas dão o recado, dizem para que foram escritas. É magia que o humano faz, é bruxaria – que a fogueira não me ouça – que não necessita ser bruxo para fazê-la.
Primeiramente, observarmos o que a Igreja diz a respeito da hierarquia a partir da Lumen Gentium – luz dos povos – constituição sobre a eclesiologia. No capítulo III, que trata diretamente sobre tal tema, aparece da seguinte maneira: «Cristo nosso Senhor, com o fim de apascentar o povo de Deus e aumentá-lo sempre mais, instituiu na sua Igreja vários ministérios que se destinam ao bem de todo o corpo» (cf. n.º 18). Neste proêmio podemos constatar que não há uma hierarquia enquanto divisão de poder temporal, isto é, na função de status, quem pode mais e quem obedece. Cristo Cabeça rege todo o corpo que é sua Igreja. A sua Igreja, obviamente, encontra-se na terra. Encarnada. Por isso, tem suas manifestações sociais, culturais. É neste encontro, entre a dimensão espiritual com a temporal da Igreja, que se dá, ou melhor, se faz a grande confusão.
Muitos fazem menção a «eleição» dos apóstolos como sendo a base da hierarquia. A instituição dos Doze não significa, no mundo bíblico, a eleição privilegiada de uns para estar com Jesus, pelo contrário, a constituição dos Doze é, simbolicamente, a união de todos os povos. Podemos constatar, por exemplo, em Pentecostes:
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3 E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? 12 Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? 13 Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! (Atos 2, 1-13).
Antes do dia de Pentecostes – qüinquagésimo dia – há a eleição daquele que substituiria Judas. Observemos que não há uma preocupação quem seria este décimo segundo, mas há um interesse em completar, fechar o número «doze» para que o Espírito Santo se manifeste e autorize todos os «homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu», a anunciar a Boa Notícia. O Texto (cf. Atos 1, 13-14) ainda acrescenta além da reunião dos apóstolos as mulheres: «Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele» (At 1, 14). Atualmente, as mulheres não têm nem voz, nem vez. Fruto da hierarquização, ou melhor, da institucionalização da hierarquia. Sabemos que em qualquer segmento humano de grupo, necessita-se, obrigatoriamente, de uma hierarquia, pois se não vira anarquia. Mas hierarquia não deve ser confundida com autoritarismo e discriminação de outrem, pelo contrário, deve estar ao serviço.
Falando no esquecimento das mulheres pela hierarquia eclesiástica, vem ao meu pensamento a Carta de Paulo aos Romanos, «Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia, para que a recebais no Senhor como convém aos santos e a ajudeis em tudo que de vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos e de mim inclusive. Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus» (Rm 12, 1-3). Eram as diaconisas que exerciam um papel singular na Igreja Primitiva. Hoje, não podem... Quem instituiu esta proibição? Olhemos Jesus, como gostava de estar na companhia das mulheres e mulheres de «má fama» na sociedade da época, entre elas Maria Madalena, a qual compreendeu a mensagem do amor que está acima da lei. «Amar não é projetar-se no outro ou naquilo que é. Amar é deixar ser» (Jean-Yves Leloup. O romance de Maria Madalena. Uma mulher incomparável. Verus, p. 65) ou como diria Fernando Pessoa através de seu heterônimo Alberto Caeiro:
Todos os dias agora acordo com alegria e pena. Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava. Tenho alegria e pena porque perco o que sonho e posso estar na realidade onde está o que sonho. Não sei o que hei de fazer das minhas sensações. Não sei o que hei de ser comigo sozinho. [...] Quem ama é diferente de quem é. É a mesma pessoa sem ninguém.
A observância da lei pela lei, era uma prática dos fariseus, homens que cumpria rigorosamente todas as prescrições a ponto de torná-las maiores do que o humano. Jesus inverte esta realidade de seu tempo, mostra-se um Homem acessível, agradável, cheio de afetos. Pedro experimentou esta ternura de Cristo, pois como sabemos, por meio do evangelho, Pedro era Zelota. Os Zelotas eram homens formados para as batalhas, analogicamente, seria como os espartanos, os bárbaros. Jamais um Zelota conhecia a dimensão do amor manifestado, da ternura vivida. No entanto, Pedro aprendeu a linguagem do amor e chorou. Chorou amargamente por ter «negado» conhecer o amor de sua vida, Jesus. É! o amor e a ternura deixa-nos bobos! «A ternura é um sentimento que se comunica na medida em que é encarnado; não se ensina, se testemunha» (Carlo Rochetta. Teologia da Ternura. Paulus). Que bonito os cristãos serem bobos! Pois convertem com a vida, com o testemunho. Na época do Imperador Juliano, ele instituiu serviços a partir da vida dos cristãos. O serviço que os cristãos prestavam a sociedade provocou o imperador que nem era cristão.
Voltemos ao mundo bíblico e analisemos a famosa passagem em que se baseiam as mentes hierárquica-ditatorial daqueles que se mostram ovelhas, mas são lobos e a «boca é mais macia que a manteiga, porém no coração há guerra; as suas palavras são mais brandas que o azeite; contudo, são espadas desembainhadas» (Salmos 55, 21). Conforme Mateus 5, 17, «Não penseis [diz Jesus] que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento». Primeiro não podemos tomar este versículo isoladamente. Uma leitura responsável deve ser feita dos capítulos 5 ao 7. No início do capítulo 5, encontramos a ética do Novo Testamento, se assim podemos dizer, o Sermão da Montanha. No Pentateuco tem-se o Decálogo.
No final do capítulo 5 diz Jesus: «Portanto, deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é Perfeito» (versículo 48). A perfeição da qual Jesus nos pede é que busquemos Deus como nosso absoluto, A Perfeição. O Deus de Jesus, Aquele que «faz chover sobre bons e maus». Que não faz acepção de cor, etnia, sexo ou condição financeira. Aquele Deus que podemos bocejar A-B-B-A! Para nós, baianos, «painho»! Aquele Deus que podemos «deitar» no colo. Lembrei-me do filme Kiriku. Há um momento em que ele consegue driblar a guarda da feiticeira e vai até o ancião sábio. Lá, depois de conversarem, Kiriku diz que está cansado. O ancião o coloca no colo e faz com que o garoto sinta-se seguro e restaure suas forças. Assim é Deus, coloca-nos em seu colo e nina-nos!
O homem não está para a lei, a lei está para o homem. A lei deve orientar a humanidade e ela tem que existir. Ela não pode ser maior, e não é, do que a pessoa humana em sua dignidade. Ela não está para justificar as mazelas cometidas em nome de boa ação. Como diz um adágio popular, «de boas intenções o inferno está cheio». Coitado do capeta!
Por trás da hierarquia está a lei. A lei que serve para justificar atos desumanos e, da forma que se manifesta, sem fundamento. São Paulo ao escrever aos Romanos recomenda: «Portanto nós sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da lei» (Rm 3, 28).
A hierarquia que devemos pensar é a de Cristo Cabeça, nós os membros, pois formamos um só corpo. Jesus o Pastor que caminha conosco, em nosso meio, Shekinah-Emanuel. Esta é a dimensão, vejo assim, de uma hierarquia, de uma ordem dentro da comunidade cristã. E porque não, na sociedade, pois humanizar-se é de todo humano. Parece pleonasmo, redundância, mas não é. É que nós perdemos a característica do humano, perdemos o referencial e mais, deixamos de querer o essencial, amar e ser amado.