
Campanha da Fraternidade 2009
Pe. José Roberto Miranda Ramos, CSsR
Zezinho
“O fruto da justiça será a paz. De fato, o trabalho da justiça resultará em tranqüilidade e segurança permanentes” (Is 32,17).
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paz é conseguida em qualquer nível cultural ou econômico e que a cultura é uma forte ferramenta para a conquista da paz e da justiça. Na parte mais ao fundo da imagem podemos perceber que há lixo jogado, representando uma vida bagunçada e sem sentido. Que é deixado para trás. O jovem da foto é um convite para que se crie condições para a promoção de uma cultura da paz fundamentada na justiça social e iluminada pelo Evangelho e pelos valores cristãos. A foto em preto e branco realça a característica da cena retratada, dando emoção ao momento captado e enfocando a seriedade, o que leva a reflexão sobre o conteúdo. O livro colorido é para destacar a leitura e a cultura como forma de combate à violência.
A CNBB tem como objetivo para esta campanha de 2009 “debater a segurança pública, com a finalidade de colaborar na criação de condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em nossa sociedade por meio da promoção de uma cultura de paz, fundamentada na justiça social” (Texto-Base, p. 13).
A Campanha da Fraternidade dentro do tempo da Quaresma ganha um sentido específico, pois “Quaresma é tempo de oração, que não só nos leva a reconhecer a presença de Deus em nossa vida e em nossa história, e a nos unir cada vez mais a ele, mas também faz que a nossa esmola seja uma abertura à ação divina e uma forma de vivência mais concreta do seu amor” (Vida Pastoral n.265, p. 14).
Deus é amor. Uma premissa verdadeira. Desse amor de Deus, nós como imagem e semelhança d’Ele, somos chamados a vivência concretamente em nosso quotidiano. Um amor sólido, capaz de abrir-se ao outro, pois Deus criou-nos nos amor e é para o amor que devem convergir nossas atitudes. Devemos dizer não a violência, ao ódio e ao rancor. A nossa conduta de cristãos é calcada pelos valores de Cristo Jesus, imagem perfeita do Pai. Cristo nos chama a permanecermos íntegros e integrados, no shalom, isto é, na paz completa. “Shalom significa harmonia consigo mesmo, com o próximo, com a natureza e com o próprio Deus” (Vida Pastoral n.265, p. 18).
Vivemos numa sociedade, de certa maneira, injusta, mas nós, os cristãos, somos chamados a sermos testemunhas do Evangelho o qual é fonte da justiça. “Se a nossa justiça não superar a justiça dos fariseus e dos doutores da lei, não entraremos no reino dos céus”, “Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu” (Mt 5,20). “Nossa sociedade se torna cada vez mais insegura, e a convivência entre as pessoas é cada vez mais difícil e delicada” (Texto-Base, p. 13).
Todas as pessoas aspiram por segurança e estão preocupadas com o problema da falta de segurança pública que se manifesta concretamente na violência, no trânsito, nos cárceres, no tráfico de drogas, de armas e de pessoas, nas desigualdades sociais, na fome, na miséria, na corrupção e em muitas outras situações. Essa legítima preocupação deve nos remeter à reflexão sobre tal questão, buscando identificar suas dimensões e suas causas (Texto-Base n.7).
O sentimento de insegurança assola a sociedade hodierna, pois diante de tantos acontecimentos injustos, o homem e a mulher pós-moderno se sentem ameaçados em seus valores e, principalmente, em sua integridade. Sabemos, pois que a segurança pública é um dever do Estado, mas isso não nos isenta de nossa responsabilidade, ou seja, do que fazemos pela paz, pela fraternidade, pela solidariedade. Os nossos pequenos atos contribuem para a paz, como também para a violência.
Nós “somos seres históricos. Isso significa que somos inseridos e condicionados em uma realidade com dimensões: social, política, cultural, econômica e religiosa” (Texto-Base n.28). Sofremos modificações conforme a realidade que nos cerca, não somos ilha, pelo contrário, estamos “condicionados” a sociedade e suas transformações. “O ser humano não nasceu para viver só” (Texto-Base n.37). Essa vivência implica sabermos lidar com os limites e as potencialidades do “outro”.