Em Gálatas 5,1, Paulo exorta os Gálatas e a nós ficarmos “firmes na liberdade com que Cristo nos libertou”, e não mais meter-nos “debaixo do jugo da servidão”. No versículo 13, ele nos fala o abuso desta liberdade da justificação cristã.
Quem quiser ser salvo pela graça e então usar esta verdade como desculpa para pecar, mostra que não está na graça. Tanto no tempo de Paulo como em nossos dias, há quem diga: “Se a lei foi satisfeita por Cristo, e se somos salvos pela fé nEle - de tal maneira que não podemos perder esta salvação, então podemos continuar a viver em pecado”.
Antes de entrarmos na antítese liberdade – servidão, os quais não estão dissociados, é interessante observarmos o termo e suas freqüência. O adjetivo evleu,qeroj é usado 16 vezes, o substantivo evleuqeri,a 6 vezes, o verbo evleuqero,w 5 vezes e avpeleu,qeroj uma vez. Segundo o livro, O Cristão na teologia de Paulo, o termo liberdade “no sentido primário, estas palavras designam uma realidade social, a liberdade em oposição à escravidão, ou então uma realidade mais interior, a liberdade das consciências, a independência diante dum constrangimento externo e o acesso a um mundo de atividades em que as energias humanas têm campo aberto” (p. 465). A carta aos Gálatas sintetiza esta compreensão: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5,13-16).
A liberdade cristã, segundo Paulo, é um estado ou condição que o crente tem diante de Deus em Cristo, e um sentimento que corresponde a esta condição. “Livres do medo temos ficado, Jesus morreu levando o pecado”. É um estado de justificação e liberdade da condenação, o qual temos em Cristo. Romanos 8,1 diz: “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”. Vejamos, também, João 8,36 e Gálatas 5,1. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo vos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão”.
Este sentimento será determinado pelo sistema particular de escravidão, no qual se vivia antes de confiar em Cristo. Quem tentava ser salvo guardando os dez mandamentos se sentirá aliviado da incerteza e mal-estar que sentia, tentando ser salvo assim. Quem estava escravizado a um sistema pagão, no qual tentava agradar os deuses através da flagelação, sentir-se-á feliz ao ver a verdade que a salvação vem, através do sacrifício de Cristo.
A escravidão religiosa é aquela que oferece salvação a preço dos méritos ou obras humanas. Cristo nos tornou livres do domínio de qualquer lei que coloque um com preço na salvação. Havia uma, mas Cristo a tirou ao pagar por ela com Seu sangue.
O amor é o cumprimento da lei. Enquanto se tenta ser salvo pela lei, não se age pelo amor, mas simplesmente por medo. Mas na liberdade da lei como modo de salvação, o crente em Cristo age pelo amor. E o modo de cumprir a lei como regra de conduta é amar ao próximo. Paulo cita Levítico 19, 18, mas não o usa como Moisés fez. O “próximo” segundo Moisés era um dos filhos de teu povo, isto é, um judeu ou israelita. Mas “próximo”, segundo Paulo, equivalia a cada pessoa. Paulo aprendeu de Cristo quem é nosso próximo. Cristo nos diz quem ele é na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10,25). Em Romanos 13,10, Paulo nos diz como o amor cumpre a lei. “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor”.
Brown disse: “Não é a confissão honesta das nossas convicções, mas o temperamento que não é cristão no qual a confissão é feita que produz tanto mal. Efésios 4,15: “Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”.
Vimos diante da compreensão de liberdade – servidão de Paulo que a situação “de escravidão sob a Lei, considerada segunda nossa ótica moderna, pode-se exprimir mais ou menos assim: a Lei, como regime de vida religiosa, obriga a observância aviltantes” (p. 467). É na carta aos gálatas que percebemos o entendimento da antítese acima, enfatiza o apreço pela liberdade que os verdadeiros cristãos têm por meio de Jesus Cristo. Assim, a liberdade cristã se caracteriza antes de tudo como vida filial (Gl 4,4-7); supõe, portanto, que seja rejeitada qualquer falsa concepção de Deus (idolatria, magia) para reconhecer em Deus o Pai de Jesus Cristo, aquele ao qual podemos dizer: Abba!
Paulo propõe o mandamento do amor como norma geral para a “fé que atua na caridade” (G l5, 6.13), fazendo como que ela produza os “frutos do Espírito” de Cristo em nós (Gl 5,22-23), onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade (2Cor 3, 17); opostos ao egoísmo humano. Por outro lado, Paulo na carta aos Romanos estabelece uma relação paradoxal, quando diz que “a lei do Espírito da vida te libertou da lei do pecado e da morte” (Rm 8,3). Acima de tudo, o interesse apaixonado de Paulo é a libertação da servidão sob o jugo da lei, mas, “ao invés, nos conduz à lei do Espírito pela qual o homem é libertado da escravidão a uma lei despersonalizada e despersonalizante . É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Ainda mais, diz Paulo: “intrusos, esses falsos irmãos que se infiltraram para espiar a liberdade que temos em Cristo Jesus” (Gl 2,4). Para o apóstolo, esses eram homens que “honravam mais a lei escrita do que a Jesus, o Salvador. Viam Jesus meramente como um reforçador da lei, enquanto que para o apóstolo, a primeira coisa e a mais essencial era receber Jesus Cristo na fé, com gratidão, como o dom imerecido do Pai” . Sob a problemática da liberdade em Paulo, fica muito difícil precisar o que se justifica pela lei. Conclui-se que a lei só se compreende em Cristo. Ele é a Nova e Eterna Aliança. O Antigo Testamento foi escrito num livro com aspersão de sangue (Hb 9); assim, o Antigo Testamento é uma aliança na letra.
A liberdade cristã, por sua vez, não é libertinagem, e os frutos do Espírito se opõem às obras da carne (Gl 5, 13-26). A visão cristã não é vaga; ao contrário, exige caridade prática, como refletimos antes, (Gl 6, 1-6) e que se semeie a boa semente com vistas à colheita (Gl 6, 7-10). Paulo conclui com advertência aos judeus e protesto de que, para ele, Cristo é o centro de todas as coisas (Gl 6, 11-18). Assim, o cristão livre é aquele que se deixa transformar inteiramente pelo Cristo morto e ressuscitado. É a nova criatura (2cor 5, 15-17 ).
Quem quiser ser salvo pela graça e então usar esta verdade como desculpa para pecar, mostra que não está na graça. Tanto no tempo de Paulo como em nossos dias, há quem diga: “Se a lei foi satisfeita por Cristo, e se somos salvos pela fé nEle - de tal maneira que não podemos perder esta salvação, então podemos continuar a viver em pecado”.
Antes de entrarmos na antítese liberdade – servidão, os quais não estão dissociados, é interessante observarmos o termo e suas freqüência. O adjetivo evleu,qeroj é usado 16 vezes, o substantivo evleuqeri,a 6 vezes, o verbo evleuqero,w 5 vezes e avpeleu,qeroj uma vez. Segundo o livro, O Cristão na teologia de Paulo, o termo liberdade “no sentido primário, estas palavras designam uma realidade social, a liberdade em oposição à escravidão, ou então uma realidade mais interior, a liberdade das consciências, a independência diante dum constrangimento externo e o acesso a um mundo de atividades em que as energias humanas têm campo aberto” (p. 465). A carta aos Gálatas sintetiza esta compreensão: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade. Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5,13-16).
A liberdade cristã, segundo Paulo, é um estado ou condição que o crente tem diante de Deus em Cristo, e um sentimento que corresponde a esta condição. “Livres do medo temos ficado, Jesus morreu levando o pecado”. É um estado de justificação e liberdade da condenação, o qual temos em Cristo. Romanos 8,1 diz: “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”. Vejamos, também, João 8,36 e Gálatas 5,1. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo vos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão”.
Este sentimento será determinado pelo sistema particular de escravidão, no qual se vivia antes de confiar em Cristo. Quem tentava ser salvo guardando os dez mandamentos se sentirá aliviado da incerteza e mal-estar que sentia, tentando ser salvo assim. Quem estava escravizado a um sistema pagão, no qual tentava agradar os deuses através da flagelação, sentir-se-á feliz ao ver a verdade que a salvação vem, através do sacrifício de Cristo.
A escravidão religiosa é aquela que oferece salvação a preço dos méritos ou obras humanas. Cristo nos tornou livres do domínio de qualquer lei que coloque um com preço na salvação. Havia uma, mas Cristo a tirou ao pagar por ela com Seu sangue.
O amor é o cumprimento da lei. Enquanto se tenta ser salvo pela lei, não se age pelo amor, mas simplesmente por medo. Mas na liberdade da lei como modo de salvação, o crente em Cristo age pelo amor. E o modo de cumprir a lei como regra de conduta é amar ao próximo. Paulo cita Levítico 19, 18, mas não o usa como Moisés fez. O “próximo” segundo Moisés era um dos filhos de teu povo, isto é, um judeu ou israelita. Mas “próximo”, segundo Paulo, equivalia a cada pessoa. Paulo aprendeu de Cristo quem é nosso próximo. Cristo nos diz quem ele é na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10,25). Em Romanos 13,10, Paulo nos diz como o amor cumpre a lei. “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor”.
Brown disse: “Não é a confissão honesta das nossas convicções, mas o temperamento que não é cristão no qual a confissão é feita que produz tanto mal. Efésios 4,15: “Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”.
Vimos diante da compreensão de liberdade – servidão de Paulo que a situação “de escravidão sob a Lei, considerada segunda nossa ótica moderna, pode-se exprimir mais ou menos assim: a Lei, como regime de vida religiosa, obriga a observância aviltantes” (p. 467). É na carta aos gálatas que percebemos o entendimento da antítese acima, enfatiza o apreço pela liberdade que os verdadeiros cristãos têm por meio de Jesus Cristo. Assim, a liberdade cristã se caracteriza antes de tudo como vida filial (Gl 4,4-7); supõe, portanto, que seja rejeitada qualquer falsa concepção de Deus (idolatria, magia) para reconhecer em Deus o Pai de Jesus Cristo, aquele ao qual podemos dizer: Abba!
Paulo propõe o mandamento do amor como norma geral para a “fé que atua na caridade” (G l5, 6.13), fazendo como que ela produza os “frutos do Espírito” de Cristo em nós (Gl 5,22-23), onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade (2Cor 3, 17); opostos ao egoísmo humano. Por outro lado, Paulo na carta aos Romanos estabelece uma relação paradoxal, quando diz que “a lei do Espírito da vida te libertou da lei do pecado e da morte” (Rm 8,3). Acima de tudo, o interesse apaixonado de Paulo é a libertação da servidão sob o jugo da lei, mas, “ao invés, nos conduz à lei do Espírito pela qual o homem é libertado da escravidão a uma lei despersonalizada e despersonalizante . É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Ainda mais, diz Paulo: “intrusos, esses falsos irmãos que se infiltraram para espiar a liberdade que temos em Cristo Jesus” (Gl 2,4). Para o apóstolo, esses eram homens que “honravam mais a lei escrita do que a Jesus, o Salvador. Viam Jesus meramente como um reforçador da lei, enquanto que para o apóstolo, a primeira coisa e a mais essencial era receber Jesus Cristo na fé, com gratidão, como o dom imerecido do Pai” . Sob a problemática da liberdade em Paulo, fica muito difícil precisar o que se justifica pela lei. Conclui-se que a lei só se compreende em Cristo. Ele é a Nova e Eterna Aliança. O Antigo Testamento foi escrito num livro com aspersão de sangue (Hb 9); assim, o Antigo Testamento é uma aliança na letra.
A liberdade cristã, por sua vez, não é libertinagem, e os frutos do Espírito se opõem às obras da carne (Gl 5, 13-26). A visão cristã não é vaga; ao contrário, exige caridade prática, como refletimos antes, (Gl 6, 1-6) e que se semeie a boa semente com vistas à colheita (Gl 6, 7-10). Paulo conclui com advertência aos judeus e protesto de que, para ele, Cristo é o centro de todas as coisas (Gl 6, 11-18). Assim, o cristão livre é aquele que se deixa transformar inteiramente pelo Cristo morto e ressuscitado. É a nova criatura (2cor 5, 15-17 ).
Diác. José Roberto, CSsR
Zezinho
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