
Hoje, diante do avanço tecnológico, especificamente nas comunicações sociais, a Igreja vê-se “obrigada” a lidar com ele, mesmo porque não se trata de um avanço negativo, negativo pode se tornar através de seu mau uso. Aliás, tudo que não é usado com ética e dignidade, torna-se hostil a humanidade. O Papa João Paulo II, sabiamente, percebeu esta realidade e declarou no 35º Dia Mundial das Comunicações Sociais, em sua mensagem é destacada: “Portanto, no nosso tempo é necessário que a Igreja se empenhe de maneira ativa nos mass media. Os católicos não deveriam ter medo de abrir as portas da comunicação social a Cristo, de tal forma que a sua Boa Nova possa ser ouvida sobre os telhados do mundo!” (3). Que bonita posição profética, enraizada na cultura hodierna. Não podemos fechar os olhos diante desta realidade eminente. A nossa pastoral não comporta mais uma linguagem fora do mundo da comunicação social.
Num documento do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais (PCCS), com o título Ética na Internet, o mesmo caracteriza a internet como “instantânea, imediata, de alcance mundial, descentralizada, interativa, expansível até ao infinito em termos de conteúdo e de alcance, flexível e adaptável a um nível surpreendente” (7). Assim, foi conceituada a internet pelo Magistério da Igreja, isto é, um rico e frutuoso meio de comunicação que está a serviço da evangelização. Do qual não podemos ter receio, ou até mesmo medo, de usá-lo a serviço do Evangelho, mesmo porque é, também, um meio eficaz para chegarmos aos jovens, principal foco da Igreja atual. Os discursos moralistas devemos deixar de lado, pois há aqueles e aquelas que dizem ser ofensa a pobreza, é sem sombra dúvida, um pobre de espírito e de visão profética. Os tempos atuais necessitam desta inclusão. De Norte a Sul, de Leste a Oeste do globo terrestre faz-se uso desse precioso meio de comunicação, a internet. O PCCS, através do Documento Igreja e Internet, adverte-nos:
O interesse da Igreja pela Internet constitui uma particular expressão do seu antigo interesse pelos meios de comunicação social. Consideramos os meios de comunicação como o resultado do processo histórico-científico, mediante o qual a humanidade foi “progredindo cada vez mais na descoberta dos recursos e dos valores contidos em tudo aquilo que foi criado”, a Igreja tem declarado com freqüência a sua convicção de eles são, em conformidade com as palavras do Concílio Vaticano II, “maravilhosas invenções técnicas” que já contribuem em grande medida para ir ao encontro das necessidades humanas e pode fazê-lo ainda mais (1).
Os meios de comunicação social são vistos como dom de Deus a humanidade, como nos afirmou o Papa Pio XII, em sua Carta Encíclica Miranda prorsus (1957), a mais de 40 anos atrás. “a Igreja encara estes meios de comunicação social como ‘dons de Deus’ na medida que criam laços de solidariedade entre os homens”. É, por conseguinte, inadmissível que queiramos retroceder hoje, onde a Igreja a tempos já estava aberta aos meios de comunicação social. Fechar-se é o primeiro sinal de declínio profético. Cristo é o fundamento e objetivo da comunicação, é Ele o “protótipo da comunicação entre os homens” (II 2).
A sociedade civil percebeu que a internet é um frutuoso meio, do qual faz uso para seu desenvolvimento. A internet é um meio eficaz, rápido e que interliga nações. Dentro desta ótica, a Igreja busca compreender a comunicação social a fim de manter um “diálogo honesto e respeitoso” com todas as pessoas que estão e são do meio da comunicação social. Pois a Igreja é “uma comunhão de pessoas e de comunidades eucarísticas que derivam da comunhão com a Trindade e nela se refletem”. A comunicação está no ser da Igreja, ela é uma relação de pessoas, a qual implica no comunicar-se, daí a necessidade de compreender a internet a fim de se comunicar com todos que fazem parte desta comunhão.
Faz-se necessário conhecer a internet para que se faça um bom uso dela, como coloca o Documento Igreja e Internet, no número 5,
atualmente a Igreja precisa compreender a Internet. Isso é necessário a fim de que ela possa comunicar-se eficazmente com os indivíduos – de modo especial com os jovens – que se encontram mergulhados na experiência desta nova tecnologia, e também com relação a fazer bom uso da mesma.
À medida que vai conhecendo os meios de comunicação, vai-se, também, percebendo os seus benefícios, “Eles transmitem notícias e informações acerca de eventos, idéias e personalidades religiosas: servem como veículo para a evangelização e a catequese” (5). Especificamente a internet,
Ela oferece às pessoas um acesso direto e imediato a importantes recursos religiosos e espirituais – livrarias grandiosas, museus e lugares de culto, os documentos do ensinamento do Magistério, os escritos dos Padres e dos Doutores da Igreja, assim como a sabedoria religiosa de todos os tempos. Ela tem a impressionante capacidade de ultrapassar a distância e o isolamento, levando os indivíduos a entrarem em contato com as pessoas de boa vontade que nutrem os mesmos interesses e que participam das virtuais comunidades de fé para se encorajarem e auxiliarem umas às outras (5).
A Internet é um “poderoso” meio para a evangelização. Não se tem o porquê de temê-la. É, na verdade, uma aliada a serviço da pastoral, servindo por exemplo, para “muitas atividades e programas da Igreja: a evangelização, incluindo a reevangelização, a nova evangelização e a obra missionária tradicional ad gentes, a catequese e outros tipos de educação” (II 5). Mesmo sendo uma realidade virtual, ela une e integra nações, crenças.
A internet é necessária para quem quer atingir os adolescentes e jovens, dentre outros casos específicos, estes que cada vez mais, tornam-se usuários frequëntemente da internet. Devemos criar blogs, páginas que eduquem na fé trazendo temas da realidade jovem, criar orkut a fim de instruir os usuários, estes são meios de evangelização. É saber ler os sinais dos tempos. Caso contrário, não teremos condições de dialogar com as pessoas que usam a internet.
A Igreja encoraja-nos a compreender a internet como meio, como instrumento tanto no âmbito para fora, como intra-eclesial. “A Igreja também precisa compreender e usar a Internet como instrumento para comunicação internas” (II 6). A Igreja pede, com urgência que se faça uso deste veículo de comunicação:
Hoje, todos precisam de algumas formas de educação mediática permanente, mediante o estudo pessoal ou a participação num programa organizado, ou ambos. Mais do que meramente ensinar técnicas, a formação mediática ajuda as pessoas a formarem padrões de bom gosto e de verdadeiro juízo moral, um aspecto da formação da consciência [...] No que diz respeito a Internet, a educação e o treinamento devem constituir uma parte dos programas compreensivos de formação a respeito dos meios de comunicação, disponíveis para os membros da Igreja ( II 7).
Uma realidade que não dá mais para camuflar, e pior, negar. Temos que nos prepararmos para lidar com esta realidade que é, inclusive, muita boa e que faz bem àquelas pessoas que a usam.
O Magistério, no número 7, do referido Documento, incentiva os seminaristas, sacerdotes, religiosos e leigos comprometidos com a pastoral, aos professores, pais e estudantes a terem uma devida formação no que diz respeito a internet, pois só se pode tomar posição ou instruir à medida que se conhece.
A formação sobre a internet é exigente e requer discernimento de como fazer uso da mesma. Como mencionado no início desta reflexão, tudo que não se sabe usar, certamente torna-se um perigo. É, comprovadamente, reconhecido os benefícios trazidos pela Internet para toda a humanidade e que sua formação não pode ser, unicamente, técnica. Mas, além da técnica, ensinar e aprender de como agir dentro desta realidade.
Uma má formação, pode fazer com que se tenha, como coloca o Documento, “sites que instigam ao ódio, destinados a difamar e a atacar os grupos religiosos e étnicos”. E, hoje, a pornografia e a prostituição estão cada vez mais presentes nesta sociedade hedonista. Por isso, é urgente que tenhamos consciência de que podemos formar homens e mulheres íntegros no uso da Internet, pois ela não é, de modo algum, ruim. Corroboro as palavras acima, isto é, de que ruim é o que fazemos dela, ou seja, uma má formação para seu uso.
Por fim, lembrar que somos humanos e não podemos abrir mão do encontro, do contato. Sem dizer que só somos Igreja à medida que formamos comunidades. Nada substitui o fraterno convívio pessoal. No final do Documento, há uma exortação aos líderes da Igreja, agentes pastorais, educadores e catequistas, pais, crianças, jovens e a todas as pessoas de boa vontade pedindo-os que tenham uma formação na área da comunicação social, especificadamente, na Internet veículo “maravilhoso e fascinante”.
Diác. José Roberto, CSsR - ZEZINHO
Um comentário:
Ótimo artigo!
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